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Em Maio desse mesmo ano, numa cerimónia solene que contou com a participação do
Arcebispo de Évora, do
Alferes-Mor do Reino D. Afonso de Albuquerque e de outros membros da cúria régia, o rei Dom Dinis ratificou, em Santarém, a criação da nova Ordem.
Nos séculos
XII e
XIII, a
Ordem dos Templários ajudou os
portugueses nas
batalhas contra os
muçulmanos, recebendo como recompensa extensos domínios e poder
político. Os
castelos,
igrejas e povoados prosperaram sob a sua protecção. Em
1314, o papa
Clemente V de origem francesa e Felipe IV de França, tentaram destruir completamente esta rica e poderosa ordem (assassínios, absorção de bens, atrocidades, que levariam Fernando Pessoa a afirmar a luta contínua contra a Tirania, a Ignorância e o Fanatismo, segundo ele, os três assassinos de Jacques de Molay, Grão Mestre da Ordem), tendo
D. Dinis logrado transferir para a
Ordem de Cristo as propriedades e privilégios dos Templários.
A Ordem de Cristo foi assim criada em Portugal como
Ordo Militiae Jesu Christo pela bula
Ad ae exquibus de
15 de marçode
1319 pelo papa João XXII, sendo rei D. Dinis, pouco depois da extinção da Ordem do Templo. «Tratava-se de
refundar a Ordem do Templo que anterior bula papal de Clemente V havia condenado à extinção» .
1 .
Diz a mesma obra
1 : «Em Portugal, os bens dos Templários ficaram «reservados» por iniciativa do rei, transitando para a coroa entre
1309 e
1310, enquanto decorria o «processo», não sem que o monarca rejeitasse o administrador nomeado por Clemente V - Estêvão de Lisboa. Esses mesmos bens passaram indemnes para a nova congregação em
26 de novembro de
1319, sendo que o papa concedera a excepção aos reis de Castela e Leão, Aragão e Portugal, que se coligaram para contrariar a execução da medida que ordenava a sua transferência para a
Ordem do Hospital.»
A nova Ordem surgia, assim como uma
reforma dos Templários. Tudo mudou, para ficar mais ou menos na mesma. O hábito era o mesmo, a insígnia também, com uma ligeira alteração, e os bens, transmitidos pelo monarca, correspondiam aos bens templários. «Foi-lhe dada a regra cisterciense», continua a mesma Enciclopédia, «e nomeado mestre D. Gil Martins, igualmente mestre da
Ordem de Avis, que adoptara a regra cisterciense, com a determinação de que os novos monges elegessem seu próprio mestre, depois da morte daquele. O superior espiritual da Ordem de Cristo era o abade de
Alcobaça. Foi-lhe concedida como sede o castelo de
Castro Marim; mas em
1357 já a sede tinha sido instalada em
Tomar, anterior sede templária.»
A
11 de junho de
1421, um capítulo reunido em Tomar adoptou como regra da Ordem de Cristo a da
Ordem de Calatrava, o que resolvia quaisquer pendências de natureza espiritual e de obediência, mantendo-se na esfera da cavalaria.

Mapa onde mostra Macau e a sua posição nas rotas comerciais portuguesas e espanholas, no seu período mais próspero (finais do séc. XVI e princípios do séc. XVII).

A
Cruz da Ordem de Cristo marcava as velas das
caravelas que exploravam os
mares desconhecidos.
O cargo de mestre passara após 1417 a ser exercido por membros da Casa Real, que se passaram a nomear administradores e governadores por nomeação papal.
O primeiro foi o infante D. Henrique, «que a encaminhou para o que parecia ser sua «missão» inicial,
a de conquista da Ásia, através das viagens marítimas, que a própria ordem financiou.»
2Os ideais da expansão
cristã reacenderam-se no
século XV quando seu Grão-Mestre,
Infante D. Henrique, investiu os rendimentos da Ordem na exploração marítima. O emblema da ordem, a
Cruz da Ordem de Cristo, adornava as velas das
caravelas que exploravam os
mares desconhecidos.
A organização interna consagrada desde os tempos de D.
Dinis (a de freires cavaleiros ou
milites Christi) foi reformada sob D.
João III em
1529, passando a Ordem à estrita clausura.
Mantiveram-se porém associadas à Ordem de Cristo «uma relação privilegiada com o mundo dos símbolos e ligações à produção poética dos chamados
bucolistas, que reencenariam «
uma relação que já se intuira existir entre os Templários e a poesia trovadoresca».
Em 1789, a rainha
D. Maria I, reformou de novo a ordem, mas esta continuou como ordem monástico-militar.
Fala-se que desde D. Maria I, foi criado um Grupo Secreto da Ordem de Cristo com Militares.
Que até hoje ainda existem nas Forças Armadas Portuguesas, com sede da Capela da Nossa Senhora da Saúde e da Igreja da Memoria.
[carece de fontes].
Com a
extinção das ordens religiosas em 1834, também a Ordem de Cristo foi extinta. A maior parte dos seus bens foram expropriados e vendidos em praça pública.
Em 1910, com a implantação da República, foi extinta, sendo reformulada em 1918.
Esta ordem tem apenas cinco graus: cavaleiro ou dama, oficial, comendador, grande-oficial e grã-cruz.
Apesar de extinta pelo Decreto de 15 de Outubro de 1910, juntamente com as “antigas ordens nobiliárquicas”, a mesma foi restabelecida pelo Decreto de 1 de Dezembro de 1918, ficando então “destinada a premiar os serviços relevantes de nacionais ou estrangeiros prestados ao país ou à humanidade, tanto militares como civis”.
De acordo com a legislação portuguesa de 1962 e na de 1986, a Ordem Militar de Cristo continuou associada ao exercício de funções de soberania e, em especial, à diplomacia, à magistratura e à Administração Pública.
Na legislação de 2011, voltou-se à referência mais genérica ao “exercício das funções de soberania”.
Ao longo do século XX foram agraciados com a Ordem Militar de Cristo os titulares dos mais altos cargos da nação portuguesa.
Em Visitas de Estado é frequentemente concedida aos cônjuges dos Chefes de Estado e, ocasionalmente, aos próprios Chefes de Estado, como a Presidente Michelle Bachelet, agraciada pelo Presidente Cavaco Silva em 2009.
3Pessoas associadas à Ordem de Cristo
Mestres da Ordem
- D. Gil Martins (1319–?)
- D. João Lourenço (?–?)
- D. Martim Gonçalves Leitão (?–?)
- D. Estevão Gonçalves Leitão (?–?)
- D. Rodrigo Anes (?–?)
- D. Nuno Rodrigues Freire de Andrade (?–1373)
- D. Lopo Dias de Sousa (1373–1417) (último Mestre religioso e canónico)
- D. Nuno Rodrigues (1417–1420)
- Infante D. Henrique (25 de Maio de 1420 – 13 de Novembro de 1460)
- D. João, 3.º Duque de Viseu, 3.º Senhor da Covilhã, 2.º Duque de Beja e 2.º Senhor de Moura (1460–1472)
- D. Afonso V (1472 – 28 de Agosto de 1481)
Desde
1472, com a incorporação do mestrado da Ordem na
Coroa Portuguesa que o cargo de Mestre é desempenhado pelo chefe de Estado Português.
Património sob tutela da Ordem

Bandeira da
Região Autónoma da Madeira, que ostenta a Cruz da Ordem de Cristo, em lembrança dos seus descobridores, membros da dita Ordem.

Desenho esquemático do
octógono originando o logotipo da
Ordem de Cristo. É possível observar que a
serifa da haste da
cruz forma um ângulo de 45° com a base. As linhas que compõem o formato do desenho do logotipo da
Ordem de Cristo podem ser obtidas a partir da ligação com retas dos
vértices no interior do polígono octógono, associado a linhas paralelas aos lados.
As
serifas das extremidades das hastes da cruz da
Ordem de Cristo formavam ângulo de 45 graus com a sua base, não importando o comprimento das hastes.
Este símbolo encontra-se também presente em inúmeras bandeiras de municípios
brasileiros e concelhos e freguesias
portuguesas.
- Existem inúmeros municípios brasileiros que possuem a imagem da Cruz da Ordem de Cristo na sua Bandeira ou em seu Brasão. Algumas vezes a imagem é estilizada e modificada, não correspondendo ao formato original da Cruz da Ordem de Cristo. Exemplos: Angra dos Reis, Cananeia, Caraguatatuba,Florianópolis, Paranaguá, Pelotas, Porto Alegre, Praia Grande, São Paulo, São Sebastião, São Vicente (SP);
- Tanto a Seleção Portuguesa de Futebol quanto a Seleção Brasileira de Futebol, bem como o Club de Regatas Vasco da Gama ou o Clube de Futebol "Os Belenenses" possuem a imagem estilizada da Cruz da Ordem de Cristo nos seus símbolos (exemplo (Seleção do Brasil)).
Referências
- Olival, Fernanda "As Ordens Militares e o Estado Moderno - Honra, Mercê e Venalidade em Portugal (1641-1789)". Dissertação de doutoramento em História.Estar Editora: Lisboa, 2001.
- Silva, Manuel Luciano da| Infelizmente os portugueses não sabe Estudo com hipóteses sobre as características da cruz da Ordem de Cristo.